Por Murilo Raggio – MTB 89.260/SP
Os recentes acontecimentos envolvendo a atuação direta dos Estados Unidos na Venezuela recolocaram no centro do debate internacional a fragilidade das regras multilaterais e os limites da soberania entre os Estados. Para o presidente da FEMACO, Roberto Santiago, o episódio não pode ser tratado como um fato isolado e exige do Brasil uma leitura política estratégica e posicionamentos claros.
Segundo Santiago, ações unilaterais de grandes potências criam precedentes que afetam diretamente países em desenvolvimento e economias emergentes. “Quando o direito internacional passa a ser relativizado, abre-se espaço para a insegurança política e jurídica. Isso compromete a previsibilidade necessária para o crescimento econômico e para a formulação de políticas públicas”, afirma.
Na avaliação do dirigente, a América Latina historicamente sente os reflexos desse tipo de intervenção, que costuma gerar instabilidade, retração de investimentos e pressão sobre políticas sociais. “Esses movimentos acabam recaindo sobre quem vive do trabalho. A conta sempre chega para a população, seja na forma de desemprego, perda de renda ou enfraquecimento de serviços essenciais”, observa.
Para a FEMACO, o Brasil atravessa um momento de reconstrução institucional e de reposicionamento no cenário internacional, o que torna ainda mais necessária a defesa do multilateralismo e do diálogo como eixos da política externa. “Não se trata de alinhamento ideológico, mas de preservar a soberania, proteger interesses nacionais e garantir condições para o desenvolvimento com justiça social”, conclui Roberto Santiago.
Na leitura da federação, o episódio funciona como um alerta político sobre a importância de o país atuar de forma ativa e responsável em um cenário internacional cada vez mais tensionado.
