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FEMACO e SETH-BR debatem saúde mental e mudanças da NR-01

por Imprensa

Saúde mental ganha espaço no debate trabalhista durante encontro realizado em Bauru

A saúde mental deixou de ser um assunto secundário nas relações de trabalho. Questões como sobrecarga, assédio, pressão excessiva e falta de apoio precisam ser reconhecidas como fatores capazes de afetar o bem-estar e a segurança dos trabalhadores.

Para ampliar esse debate, a FEMACO realizou, no dia 2 de julho, em parceria com o SETH-BR, mais uma edição da campanha “Não é Drama. É Norma!”. A iniciativa levou informação e conscientização sobre a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01) e seus impactos no ambiente profissional.

O encontro aproximou o conteúdo técnico da norma da realidade enfrentada diariamente por trabalhadores, dirigentes sindicais e empregadores. A proposta foi demonstrar que a prevenção do adoecimento mental exige mais do que ações isoladas: é necessário analisar a própria organização do trabalho.

Conhecimento de diferentes áreas fortalece o debate

A campanha é conduzida por uma equipe multidisciplinar formada pela psicóloga e diretora do SIEMACO São Paulo, Daniela Sousa; pelas advogadas Glédis Lúcio e Tamires Oliveira; e pela comunicóloga Renata Ketendjian.

A união dessas diferentes áreas permite abordar a NR-01 sob perspectivas complementares. Enquanto a psicologia contribui para a compreensão do sofrimento emocional e dos fatores que podem provocar o adoecimento, o conhecimento jurídico esclarece as responsabilidades previstas na norma. A comunicação, por sua vez, ajuda a transformar um conteúdo técnico em informação acessível e aplicável ao cotidiano.

Essa integração é essencial para que a atualização não seja vista apenas como uma obrigação documental. O objetivo é estimular mudanças concretas na forma como os riscos são identificados, comunicados e enfrentados.

NR-01 amplia o conceito de prevenção

A nova redação da NR-01 incluiu expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Isso significa que as organizações devem observar situações ligadas à concepção, à gestão e à organização das atividades profissionais que possam causar danos à saúde.

Entre os exemplos estão o excesso de demandas, o assédio, os conflitos constantes, as metas incompatíveis com a realidade, a falta de autonomia e a ausência de suporte para a realização das tarefas.

A análise deve estar concentrada nas condições em que o trabalho é desenvolvido, e não na personalidade ou na vida particular do trabalhador. A finalidade é reconhecer os fatores que podem provocar ou agravar quadros de estresse, esgotamento e sofrimento psicológico e, a partir disso, estabelecer medidas de prevenção.

Não é fraqueza: é uma questão de saúde e segurança

O nome da campanha enfrenta diretamente um dos maiores obstáculos para a prevenção: a banalização do sofrimento emocional. Expressões como “isso é drama”, “é falta de força” ou “sempre foi assim” contribuem para silenciar trabalhadores e atrasar a identificação dos problemas.

A mensagem levada a Bauru foi clara: falar sobre saúde mental não significa transformar qualquer dificuldade em doença. Significa reconhecer que determinadas condições profissionais podem gerar riscos e que esses riscos precisam ser avaliados com a mesma responsabilidade dedicada às demais situações de segurança do trabalho.

O diálogo também fortalece a participação dos trabalhadores. São eles que conhecem de perto as rotinas, as exigências e as dificuldades existentes em cada função. Ouvir essas experiências pode tornar as medidas preventivas mais eficientes e compatíveis com a realidade.

Prevenção começa com informação

A edição realizada em Bauru reforçou que a aplicação efetiva da NR-01 depende da participação conjunta de sindicatos, empresas, profissionais especializados e trabalhadores.

Mais do que divulgar uma mudança normativa, a campanha “Não é Drama. É Norma!” procura incentivar uma nova cultura de prevenção, na qual o cuidado com a saúde mental faça parte da rotina das organizações e das relações profissionais.

Com informação clara, escuta e responsabilidade compartilhada, torna-se possível identificar problemas antes que eles produzam consequências mais graves. Afinal, promover um ambiente de trabalho saudável também é uma forma de proteger direitos, preservar vidas e valorizar quem trabalha.

Por Murilo Raggio I MTB 89.260/SP – Fotos por Fabiano Polayna I MTB 48.458/SP

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